O que muda entre automatizar, interagir e delegar
Você está conferindo os pedidos que precisam sair durante a semana quando o sistema avisa que um dos produtos está com o estoque baixo. Será que a quantidade disponível é suficiente para dar conta do que já foi vendido?
Para encontrar uma resposta rápida, você pergunta para a Inteligência Artificial se tem em estoque o que precisa até a próxima reposição. A resposta te ajuda a esclarecer o problema, mas mostra uma tarefa que se repete todos os dias: é preciso confirmar se o estoque é suficiente para atender todos os pedidos.
Surge então a possibilidade da IA assumir o acompanhamento do estoque. Com as orientações definidas, a ferramenta avalia os itens com risco de faltar, apresenta o resultado no tempo definido e a mesma pergunta não precisa ser feita o tempo todo.
Percebeu como o alerta, a conversa e o acompanhamento fazem parte da mesma rotina? Entretanto, são formas diferentes de usar a tecnologia.
Automação, assistente e agente assumem papéis diferentes de acordo com a forma como o trabalho é definido, iniciado e executado. Entender essas diferenças ajuda a identificar qual abordagem faz mais sentido para cada necessidade.
O aviso de estoque baixo é um exemplo simples de automação. A empresa define um mínimo e, quando o estoque fica abaixo dele, o sistema notifica o setor de compras.
Resumindo, a automação executa uma sequência previamente definida de regras, condições e ações. Quando determinada condição é atendida, o sistema segue o caminho programado para aquela situação. Não precisa repetir essa tarefa e também não precisa de Inteligência Artificial.
Essa lógica também se aplica a processos mais complexos. Cálculos, consultas, aprovações e notificações podem ser aplicados em um único fluxo, com diferentes caminhos conforme for necessário.
Isso funciona muito bem em tarefas com critérios bem definidos e padrões. Seu time não precisa mais repetir etapas manuais que seguem sempre a mesma lógica.
Mas existe um ponto importante: a automação opera dentro das condições e dos caminhos que foram previamente definidos.
Se o limite mínimo programado foi 100 unidades, um saldo de 80 dispara a notificação. Saber se essa quantidade exige uma compra urgente depende de outras informações. Talvez uma entrega do fornecedor esteja prevista para o dia seguinte. Ou os pedidos dos clientes consumam todo o material ainda hoje.
Essa avaliação exige um trabalho adicional feito por uma pessoa, por outra rotina programada ou até mesmo com o apoio da IA.
Ao receber o alerta de estoque baixo, o comprador ainda precisa saber se existe algo para se preocupar. A quantidade disponível será suficiente até a próxima entrega do fornecedor? Algum pedido corre o risco de atrasar?
Essas perguntas dão início a uma conversa com um assistente de IA. Com acesso às informações necessárias, ele compara os dados e ajuda a esclarecer o que está acontecendo.
A resposta também pode abrir novas possibilidades de investigação. Se correr o risco de algo faltar, o colaborador pode identificar quais pedidos serão afetados. Depois, solicitar uma comparação entre os prazos de entrega ou acrescentar uma prioridade que precisa ser levada em consideração.
A análise se desenvolve durante a interação, de acordo com a necessidade do colaborador.
Essa atuação “sob demanda” representa um assistente. O usuário apresenta uma necessidade, avalia o retorno e orienta o próximo passo. A IA contribui com explicações, comparações e recomendações que ajudam a tomar uma decisão.
Esse apoio não se limita a tirar dúvidas. Uma conversa envolve diferentes informações e até mesmo questões mais difíceis. Dependendo dos recursos disponíveis e das permissões concedidas, o assistente também pode executar ações durante a interação.
Agora, imagine que o setor de compras queira acompanhar os itens com risco de falta. Os colaboradores do setor já conhecem os critérios e sabem o que esperam receber.
A solicitação poderia ser acompanhar os pedidos com entrega prevista para os próximos sete dias, comparar as quantidades necessárias com o saldo disponível e considerar as reposições confirmadas. Ao concluir, a IA deverá apresentar os produtos que exigem atenção e explicar os motivos.
Nesse caso, existe um trabalho atribuído a um agente, com uma finalidade e instruções para sua execução.
O colaborador define o resultado esperado e o agente realiza as etapas que estiver preparado e autorizado para executar.
O grau de autonomia depende das suas responsabilidades. De forma geral, agentes de IA podem assumir diferentes graus de autonomia: alguns são voltados à análise de informações, enquanto outros, quando integrados às ferramentas necessárias e devidamente autorizados, podem também executar ações, como atualizar registros ou encaminhar solicitações para aprovação.
Essa atuação pode acontecer em uma tarefa pontual ou em um acompanhamento diário. O que caracteriza o agente é sua capacidade de determinar e executar etapas em direção a um objetivo, dentro das instruções, recursos e limites definidos, sem depender de uma nova orientação humana para cada passo.
Automação, assistente e agente trabalham em condições diferentes.
Na automação, o caminho foi programado previamente. O sistema confere as condições e executa as ações definidas. Esse fluxo pode ser extenso e ter várias variáveis, desde que estejam previstas dentro das regras.
No assistente, o usuário orienta a interação. Você apresenta uma dúvida, analisa a resposta e solicita o que fazer em seguida. Dependendo dos recursos disponíveis e das permissões concedidas, o assistente também pode executar ações durante a conversa.
Já no agente, o usuário delega um objetivo. A partir dele, a IA avalia quais etapas realizar e utiliza os recursos autorizados para avançar em direção ao resultado esperado.
Em outras palavras, na automação, o caminho é definido previamente. No assistente, o usuário conduz a interação e orienta os próximos passos. No agente, o objetivo é definido e a IA ganha maior autonomia para determinar como avançar dentro dos limites estabelecidos.
O alerta que falamos lá no início deste artigo cumpriu uma regra. A conversa com o assistente ajudou a entender se o estoque baixo realmente representava um problema. Ao agente, por sua vez, foi atribuído o objetivo de investigar o risco de falta de produtos e apresentar os resultados conforme os critérios definidos.
Essa diferença ajuda a escolher onde usar cada recurso. Procedimentos estáveis e previsíveis são atendidos com automação. Investigações feitas pelos usuários podem ser realizadas no assistente. Quando existe um objetivo que exige interpretar informações, determinar etapas e utilizar recursos com maior autonomia, um agente pode ser a abordagem mais adequada.
Uma tecnologia não anula as outras. Pelo contrário, há espaços para que todas sejam usadas em uma mesma empresa. E, em muitos cenários, elas podem inclusive fazer parte de uma mesma jornada: uma automação identifica uma condição, um assistente apoia uma análise e um agente assume um objetivo que exige acompanhamento e diferentes etapas.
Tudo vai depender do trabalho que precisa ser feito. Quais etapas são previsíveis? Onde é necessário interpretar o contexto? Qual grau de autonomia faz sentido? Quais ações podem ser executadas pela tecnologia? Quais decisões devem continuar com as pessoas? E quais permissões e controles precisam existir? Conforme for sua resposta, fica mais claro como cada recurso pode contribuir para a gestão.
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