Sem o trabalho dessas personagens você não teria a tecnologia que conhece hoje

No universo da tecnologia, um ambiente predominantemente masculino, elas brilham com o talento e a perspicácia de quem entende do assunto. Afinal, as mulheres ajudaram a construir a história da informática: elas estavam lá quando os primeiros códigos foram criados e até hoje usam todo o seu conhecimento para influenciar nos avanços tecnológicos.
Encontramos algumas dessas profissionais no ranking das 50 mulheres mais importantes da área de tecnologia em 2018, divulgado pela Revista Forbes. No topo da lista vemos nomes como:
• Manal Al Sharif, cientista da computação e fundadora do Women2Hack Academy – programa que incentiva e desenvolve mulheres para trabalharem com segurança de dados na Arábia Saudita.
• Jasmine Anteunis, fundadora da empresa de chatbot Recast.AI.
• Chantelle Bell, biocientista britânica co-fundadora da startup Syrona Women – teste que pode ser feito em casa e alerta sobre o câncer de colo do útero.
Agora de volta ao passado, vamos conhecer um pouco mais sobre o trabalho das pioneiras da tecnologia – a quem nós devemos todo respeito, reconhecimento e admiração por nos proporcionar as inovações das quais desfrutamos hoje.
Augusta Ada King ou Condessa de Lovelace, nada menos que a primeira programadora.
O interesse pela ciência começou cedo, influenciado por outra mulher: sua mãe, a matemática Anne Isabella Milbanke. Para evitar que a menina seguisse os caminhos do pai, Lorde Byron, pela poesia, Anne incentivou os estudos da filha desde pequena e deu certo! Apesar de aos 12 anos usar toda sua criatividade para escrever o primeiro livro, sobre mecanismos que voam, Ada não deu continuidade a carreira de escritora e dedicou-se à ciência.
Além de sua mãe, outra figura feminina que desempenhou um papel importante na sua formação foi Mary Somerville, a primeira mulher a integrar a Sociedade Real de Astronomia. Uma verdadeira incentivadora na trajetória da Condessa.
Determinada, Ada não se deixou abalar quando o inventor Charles Babbage recusou seus primeiros pedidos de trabalho. Para alcançar seu sonho, ela mudou a tática. Assim que o inventor lançou um novo artigo na revista suíça sobre a máquina analítica, ela traduziu o material para o inglês acrescentando suas observações como notas de rodapé. Ao se deparar com aquele trabalho surpreendente, Babbage ficou impressionado e convidou a moça para se juntar a ele.
A função da Condessa de Lovelace era traduzir os textos de Luigi Menabrea, um matemático italiano, sobre as ferramentas analíticas usadas por Charles Babbage. Como resultado, ela acabou desenvolvendo o primeiro algoritmo da história, antes mesmo que existissem máquinas para processá-los. Quando os equipamentos adequados foram criados, comprovaram que o trabalho de Ada estava correto, mas ela, infelizmente, não pode presenciar sua descoberta. Em sua homenagem, o prêmio da Sociedade Britânica de Computação, que contempla avanços significativos em sistemas de informação, leva seu nome: Ada Lovelace.
Durante a Segunda Guerra, na Pensilvânia, as mulheres davam sua contribuição nos tempos de conflito. Um grupo de 80 moças trabalhava na inteligência, calculando à mão trajetórias de mísseis. Desse grupo, 6 profissionais foram escolhidas para participar de um projeto inédito: programar o primeiro computador totalmente eletrônico e digital, o ENIAC.
As mulheres incumbidas dessa missão eram: Kathleen McNulty Mauchly Antonelli, Jean Jennings Bartik, Frances Snyder Holberton, Marlyn Wescoff Meltzer, Frances Bilas Spence e Ruth Lichterman Teitelbaum.
A tarefa delas consistia em dar as instruções necessárias para que o computador realizasse os cálculos. Todos os dias, elas manuseavam mais de três mil interruptores e botões para ligar um hardware de 80 toneladas. Além disso, esse trabalho deu origem a vários protocolos que usamos até hoje.
O lançamento do ENIAC demorou mais que o previsto e não foi possível vê-lo em ação durante a guerra, o que não diminuiu a importância da invenção. Os cálculos, que antes demoravam cerca de 30 horas para serem solucionados, passaram a ser feitos em segundos com a ajuda da máquina. O equipamento requeria algumas atividades manuais, como os inúmeros interruptores representando 1 e 0 (ligado e desligado) que precisavam ser apertados de acordo com a função desejada – e essa era a responsabilidade daquele seleto grupo de mulheres.
Quem disse que religião e ciência não podem caminhar juntas? Há muito tempo a Irmã Mary Kenneth Keller provou que é possível!
Em 1940, Keller fez seus votos na ordem das Irmãs de Caridade da Abençoada Virgem Maria. Três anos depois, ela conquistava o bacharelado em Ciências com ênfase em Matemática e esse foi só o começo. Em 1965, a Irmã se tornaria a primeira mulher a receber um doutorado em ciências da computação pela Universidade de Washington.
De olho no futuro, Mary já conseguia vislumbrar as possibilidades da inteligência artificial quando o tema ainda não passava de mera ficção.
“Nós podemos estudar inteligências artificiais. Além disso, esse mecanismo [o computador] pode ser usado para auxiliar pessoas no aprendizado. À medida que teremos alunos cada vez mais maduros e em maior número, com o passar do tempo esse tipo de ensino provavelmente será cada vez mais importante” – Irmã Mary Kenneth Keller.
O seu trabalho deu base a criação da linguagem de programação BASIC. Ela também foi autora de quatro livros sobre computação e programação, leitura obrigatória para estudiosos da área. Além disso, foi uma das pioneiras na inclusão de mulheres no ramo da tecnologia.
“É mais fácil pedir perdão do que permissão” – Grace Hopper.
Essa é umas de suas frases mais famosas e se tornou lema das mulheres que lutam por espaço no mundo da tecnologia. Hopper foi a primeira mulher a se formar na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, com um PhD em matemática. Mas ela não ficou apenas no campo acadêmico, também foi a primeira almirante da marinha americana.
Podemos acrescentar a lista de “pioneirismo” de Hopper o título de uma das criadoras do COBOL – a primeira linguagem complexa de computador, usada para bancos de dados comerciais.
Sem contar que também foi a responsável por criar um dos termos mais conhecidos do meio tecnológico, o “bug”. Ao tentar solucionar um problema de processamento de dados, Hopper percebeu que a falha ocorria por causa de uma mariposa que estava criando ninho dentro de um computador. Nada que um “debugging” não resolvesse.
Como vimos, não faltam exemplos de grandes mulheres que fizeram história – e ainda fazem! – no mundo da tecnologia. Aqui você confere outras personagens femininas que foram essenciais para a transformação tecnológica que melhora o nosso dia a dia.